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13 de janeiro de 2010

Desabafo de uma E.T.

Desde que retornei ao Brasil estou me sentindo deslocada.

Pareço não pertencer mais ao lugar, à minha casa, a essa cidade. Não me sinto à vontade em lugar nenhum, como se eu fosse um ET aonde quer que eu vá.

Tudo está esquisito, e esse sentimento de inadequação a cada dia se manifesta de alguma forma diferente.

Bom, não posso reclamar muito, já que muitas coisas aconteceram desde que voltei que todo mundo anda dizendo que sou virada pra lua de tanta sorte.

Mas apesar disso, o sentimento de confusão, inquietação e inadequação continua lá, firme e forte, como se eu pertencesse a outro planeta, por um milhão de motivos.

Por conta disso resolvi publicar essa crônica, que nem é de minha autoria, mas que exemplifica uma das situações na qual me encontro, uma vez que estou solteira (não, não casei com nenhum australiano, aos curiosos de plantão que poderiam estar se perguntando isso), e desde que cheguei (e diga-se de passagem, o que era uma das "rotinas" que eu mais gostava antes de ir embora) não ando com a menor vontade de sair em baladas cheias de gente (não fui em nenhuma, aliás, estando há quase um mês por aqui), ou de gastar fortunas num barzinho cheio de babacas bêbados e nem mesmo com paciência para fazer novas amizades ou conhecer aquele que poderia ser 'o cara'.

Não sei quanto tempo essa fase vai durar. Se é somente um pós-Australia que logo se adapta novamente à realidade de São Paulo e do Brasil ou se eu terei que ir embora para o exterior para conhecer gente interessante, diferente e novamente me sentir "em casa".

Mas, independentemente do que aconteça, definitivamente, as coisas nunca mais serão as mesmas.

(PS: Se alguém souber o autor por favor me comunique para que eu possa fazer a devida citação, pois achei esse texto num arquivo do meu computador sem nenhuma referência.)

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Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana.

Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo: noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso.

Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu, mas tô falando dos de "fabricação em série". Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia. Tinha me decidido a banir a palavra "balada" da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult, desses que tem aberto aos montes em bequinhos charmosos.

Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, sinto falta de um amor. Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de "tô no meu mundo, fique no seu".

Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar "se são meus amigos, logo devem ter amigos interessantes". Infelizmente, essas festinhas são cheias de casais e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém só porque os amigos estão todos acompanhados. Tô fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.

Baladas playbas com garotas prontas para um casamento e rapazes que exibem a chave do Audi, tô mais do que fora. Baladas playbas com garotas praianas hippie-chique que falam com voz entre o fresco e o nasalado (elas misturam o desejo de ser meigas com o desejo de ser manos com o desejo de ser patos) e rapazes garotos-propaganda Adidas com cabelinho playmobil, também tô fora. MUNDO IDIOTA.

O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar. Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados, bebem discutindo a melhor bunda da firma e depois choram "tristeza não tem fim, felicidade sim" no ombro do amigo têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha superdescolado só porque tirou a gravata e porque fala tudo metade em inglês, ao estilo "quero te levar pra casa, how does it sound?"

Para dançar, os muquifos eletrônicos alternativos são uma maravilha, mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo, não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo.

Tô procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra. Minha mais recente descoberta são as baladinhas também alternativas de rock. Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana. Gente tão bacana que não acha ninguém bacana. Na praia, quem é interessante além de se isolar acorda cedo, aí fica aquela sensação (verdadeira) de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas.

Orkut, MSN, chats. Me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nesta vida: a tal da química.

Mas então onde, meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante?

O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê.

E eu? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo a mais idiota de todos?

Foi então que eu descobri.

Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredom lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.

A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa.

Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

6 de julho de 2008

A little bit of love

O dia dos namorados passou, o mês dos namorados passou, e como essa palavra "namorado" (ou qualquer coisa relacionada) não tem tido muito significado para mim ultimamente acabei nem postando nada que falasse de amor ou romance por aqui no mês de junho.

Hoje não mudou absolutamente nada nesse sentido, mas não sei por que razão resolvi colocar uma poesia toda romântica e até breguinha que fiz há um bom tempo atrás, num momento em que eu estava apaixonada (e atire a primeira pedra aquele que nunca fez breguice por uma paixonite aguda!!!)

Talvez meu inconsciente esteja querendo mudar o clima nesse sentido pra mim, dar aquela esquentada, who knows?

Mas vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser, vamos ver no que dá...

Espero que gostem do poema. E acredito que pelo menos os apaixonados vão me dar um ibopezinho nessa!

O MAR

Amo o mar
E como o mar é o meu amor
Calmo e turbulento
Claro e turvo
Vai e volta, como as ondas...
Ergueu-se do nada, imponente
Numa onda gigantesca, assustadora, incontrolável
E batendo numa rocha, insensível, quase cruel
Ficou rasa e enfraquecida
Quando o sol ressurgiu, novamente a aqueceu
De lá do fundo, ganhou força e renasceu
Tornou-se a onda perfeita
Dos sonhos de qualquer surfista,
De qualquer pessoa, para quem quisesse ver...
Mas, quebrando na areia, numa última queda
Pensei tê-la visto morrer na praia
Para nunca mais...
Puro engano
Sem razão nem lógica
Retornou ao oceano
Às suas águas, às suas origens,
Cruzou rebentações
E tomou conta de todo o mar, sem fim, para sempre...
Desse mesmo mar
Que é o meu amor
Que é seu.

Música do dia: Give a little bit (Supertramp, com ótima versão do Goo Goo Dolls)

28 de maio de 2008

Os nerds comandam!

Ontem assisti a dois filminhos adolescentes, estilo sessão da tarde mesmo, e comecei a refletir sobre um aspecto comum entre eles: OS NERDS.

O primeiro filme, Namorada de Aluguel, mostra a história de um nerd que paga 1000 dólares pra garota dos seus sonhos fingir ser sua namorada por um mês, e ela acaba se apaixonando por ele.
O segundo, Romy e Michelle, conta a história de duas balzacas que voltam à reunião do colégio tentando impressionar, se dão mal, mas no final das contas Michelle fica com o nerd que sempre fora apaixonado por ela e agora é um milionário, o mais bem sucedido da turma, e com isso saem em alto estilo vingando todas as suas frustrações adolescentes.

Em ambos os filmes, os nerds conseguem suas amadas, a princípio por causa do dinheiro, porém ambas se apaixonam de verdade pela inteligência, sensibilidade e sinceridade de coração deles.
Achei curioso isso, pois tenho observado na vida real que, independentemente do dinheiro, os homens interessantes que tenho conhecido atualmente são aqueles que, na adolescência, deviam ter o estereótipo de nerd: inteligente, estudioso, culto, sensível e com aquele ar de menino tímido, mesmo muitas vezes não o sendo.

Não me refiro a nerds de internet, não me interpretem mal! Mesmo porque hoje em dia gostar de internet entre os adolescentes não é sinônimo de "nerdice", e sim de estar antenado (quem não tem é que é o "esquisito"). E tem outra, os nerds de internet não são iguais aos nerds da minha adolescência, os CDFs, estudiosos, inteligentes e etc. (é até estranho falar isso, mas na minha adolescência não existia internet!!!).
Os nerds de internet são, na maioria das vezes, grandissíssimos babaquinhas que não têm a menor cultura, vão mal na escola, só curtem futilidades e mal sabem escrever!!!

Vejam esse exemplo: Estava eu debatendo um assunto (não me lembro qual) numa comunidade do orkut, e comecei a ler as postagens daquele tópico.
Jesus, o que era aquilo??? Que língua é aquela??? Não, porque todo mundo sabe que na internet se usa o português e o "internetês" (ou "miguxês", como dizem, akeli ki si ixcrevi axim), mas me surpreendi com o novo idioma, o "estupidez"!!! De cada 10 mensagens, pelo menos umas 7 estavam nesse novo idioma. Um rapaz lá, expressando suas idéias, diz: "Acho que não deve mecher em nada".
Como assim "mecher"??? Fico me perguntando se na casa desse rapaz o que ele usa para mexer (com ch) é uma concha (com x, provavelmente), pra fazer a sopa de letrinha degringolada dele. Fiquei indignada com a pobreza intelectual desse povo e muito triste com o assassinato do pobre Manoel (o português).
Mas voltando ao assunto, não é desse tipo de nerd que estou falando!

Estou falando do que era ser nerd da minha adolescência. Aqueles inteligentes, que liam muito, liam de tudo, filosofavam, criavam. Na época, admito, não eram lá muito interessantes, pois adolescente bitolado não é uma coisa fácil de se lidar quando você também é adolescente, e por mais que se tenha uma cabeça boa e alguma personalidade própria, querendo ou não, as aparências valem muito para a integração ao seu grupinho social.

Mas atualmente, e sinceramente, prefiro conhecer o nerd ao invés do lindo gostoso. Claro que o nerd tem que ter no mínimo um charme atraente e ser divertido se quisermos pensar na possibilidade de algo além da amizade, mas o papo do nerd é sempre mais interessante, variado e filosófico.
Sem preconceitos, não que o lindo gostoso não possa ser inteligente, mas já passei por ambas as experiências e normalmente o papo do lindo gostoso é sempre mais superficial. O papo do nerd é mais profundo e substancial, independentemente do assunto (da psicologia à religião, da ciência à arte, de história à economia), já que eles sempre conhecem um pouco de tudo, e assim fazem com que eu me interesse mais pelo assunto, que ele se torne uma pessoa mais interessante aos meus olhos e que eu saia de lá sabendo várias coisas que talvez eu não saiba.

Digo "talvez" não por prepotência em achar que sei tudo, mas pelo fato de que, apesar da minha aparência não corresponder ao estereótipo da CDF feiosa e mal cuidada (porém inteligente, ávida por conhecimento e estudiosa), tenho certeza de que lá no meu íntimo também sou uma nerd, e com orgulho!

NERDS, YOU ROCK!!!


Músicas do dia: Can't buy me love (Beatles, tema do Namorada de Aluguel) e Time after time (Cindy Lauper, tema de Romy e Michelle)